O que adianta?
O que adianta crer num Deus que tudo resolve se a própria intimidade vive à margem da inconsciência? Falta ali a luz da lucidez e o farol do bom senso sensibilizado, apaziguado pelo serenar de um coração sensível e generoso. Pois de nada vale o amparo divino se, dentro de si, reina o descompasso entre a fé professada e materializada e a essência ignorada e enclausurada no autoabandono. O que adianta praticar a caridade para fora, como se fosse “um ato de justiça social,” ajudando, acolhendo, amparando e até transformando vidas, por atos e feitos de solidariedade, se na própria intimidade falta lhe lealdade da calma, a pureza da paciência e a grande forja ressignificava do silêncio? Há quem faça o bem pelo impulso da aprovação, pela fome de pertencimento, mas que, no mais íntimo, é incapaz de se oferecer um olhar tranquilamente brando e uma escuta presentemente sincera; porque a caridade que não começa dentro é somente um verniz de má qualidade sobre um vaso tosco e opaco.
O que adianta falar de amor, se por si mesmo não se nutre desse sentir e sentido sublime que ressignifica e transforma? É fácil enaltecer o amor como uma bandeira, defendê-lo em discursos e exibi-lo em gestos mecanicamente calculados, mas difícil é sustentá-lo na profundidade da própria alma, em estado sóbrio, sereno e sã, pois amar não é apenas um ato, mas uma condição civilizada de ser.
O que adianta lutar por algumas verdades e realidades para fora, somente se vangloriar ou se destacar por fora, se, por dentro, ao suspiro de alívio, se vê aprisionado na solidão e na constância de um vazio existencial? Porque há aqueles que se perdem na busca incessante por mudar o mundo, mas negligenciam o próprio lar interior, deixando-o em ruína; sendo assim, o eco da própria ausência grita dentro de si, ainda que, para os outros, pareça forte, poderoso.
O que adianta saber de tudo, compreender e entender o que está logo à frente, se, por dentro, falta aquilo que torna alguém mais do que um ser fisiológico? Assim como a verdadeira civilidade não se mede somente pelo conhecimento acumulado, mas pela capacidade de sentir, refletir e se modificar.
Ser humano é muito mais do que existir, é permitir-se ser tocado pelo que transcende a mera materialidade.
O que adianta tanto sacrifício carreado de ansiedade e carências para se manter, pertencer, ir frequentar e estar, se, na essência, o que menos se é… é ser lucido pela própria paz; por este comportamento presenciamos um descompasso inquietante, entre a necessidade de validação externa e a miséria interna de autenticidade.
Vale salientar que respeito o direito de alguém ter uma opinião, mas isso não significa respeitar necessariamente a opinião em si. Respeito não é concordância automática, o respeito verdadeiro se ancora na escuta, na consideração, mas jamais na submissão cega ao que não ressoa com a verdade sensata, ética integra e de um caráter forjado por retidão, deste modo, respeitar alguém não significa validar tudo o que ele pensa, mas reconhecer sua existência sem abdicar da ajuizada honestidade.
Edson Rosa 🌹
Adquiram os meus 📚 livros aqui:https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/amor-proprio-autodescoberta-afeto-e-zelo-intimo/S81454172M?sck=HOTMART_MEM_CA&fbclid=IwY2xjawJEMKBleHRuA2FlbQIxMAABHXlPUUARy3NHfRdAP0hvV9OzSqATBajoVW50FnEODy_mboZRIIllF4M3FA_aem_Wh4GVxjmT_o5SNhyJxGoXw